segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Fui vítima de um jogo político", diz Sílvio Costa Filho


Entrevista: Sílvio Costa Filho (PMN) Deputado estadual

Arthur Cunha:

“Mergulhado” há cerca de seis meses, desde que deixou a Secretaria Estadual de Turismo em meio a denúncias de irregularidades na contratação de shows, o deputado estadual Silvio Costa Filho (PTB) quebrou o silêncio. Nesta entrevista exclusiva, o parlamentar se disse vítima de um jogo político orquestrado pela oposição e por produtoras para acabar com a sua carreira. Silvio acredita que os adversários o usaram para atingir seu pai, o deputado federal Silvio Costa (PTB), crítico ferrenho dos Governos Jarbas. Para ele, a briga que Silvio Costa teve com o senador Sérgio Guerra (PSDB) por causa de bases políticas, em 2009, também contribuiu para incentivar os oposicionistas. “Tudo aquilo que não me mata, torna-me mais forte”, profetizou o petebista, citando o filósofo Friedrich Nietzsche. O petebista também reconheceu que errou ao entregar o cargo “pela Imprensa” sem ter comunicado antes ao governador Eduardo Campos (PSB). Cada vez mais próximo ao ex-prefeito João Paulo (PT), o deputado criticou o campo governista por não reconhecer a liderança do petista e voltou a afirmar sua vontade de concorrer à Prefeitura do Recife.


O senhor saiu do Governo no final do ano passado em meio a denúncias de irregularidades na contratação de shows pela Empetur. Porque decidiu falar sobre o assunto só agora, depois de seis meses?

Está muito claro ao povo de Pernambuco que fui vítima de um jogo político. O que estava em jogo naquele processo não era o processo administrativo da Empetur, mas sim o processo político de querer denegrir minha imagem enquanto homem público. Tem uma frase muito verdadeira do filósofo alemão Nietzsche que diz: ‘tudo aquilo que não me mata, torna-me mais forte’. ‘O importante é fazer do tempo aliado e não adversário’. Acho que essa frase cabe muito a mim nesse processo. Fico feliz porque saí da Secretaria com o reconhecimento de todo o trade turístico pernambucano; o reconhecimento de todos que fazem o Turismo de Pernambuco: acadêmicos, representantes do trade, universitários do turismo. Aonde eu ando no Estado ouço depoimentos que me motivam a continuar fazendo política com seriedade, compromisso e respeito pelas pessoas.

Acredita que cometeu algum erro?

Acho que cometi um erro no processo, pela primeira vez falo desse assunto. Que foi ter entregue a Secretaria de Turismo pelos jornais, sem ter comunicado ao governador Eduardo Campos. Não fui feliz em ter entregue o cargo sem comunicar previamente ao governador. Mas pedi para sair para dar total transparência às investigações, à época, na Empetur. Fui aos órgãos responsáveis pedir esclarecimento e o primeiro relatório (uma tomada de contas feita pelo Estado) já mostra claramente a nossa isenção do processo. Ou seja, está comprovado que nós fomos vítimas de um jogo político.

O senhor credita a quem esse “jogo político”?

Acho que isso é papel da oposição. Não tenho nenhuma mágoa da oposição, até porque é da democracia. Ao longo desses seis meses - e quero dizer que foi o final de ano da minha vida e da minha família... Não é fácil para alguém que sempre procurou fazer política preservando os bons princípios, com seriedade, com compromisso, com respeito pelas pessoas, com dedicação. Não é fácil sofrer o processo que eu sofri. Mas isso só me fortalece e me motiva a cada dia continuar fazendo política e acreditando na vida pública. A política é o único instrumento da gente poder construir cidadania.

Houve, em sua opinião, alguma tentativa de desestabilização por parte de alguém de dentro do Governo?

Não procuro ver dessa forma. O mais importante é que construí uma relação pessoal com todos os secretários do Governo Eduardo Campos e, sobretudo, com o governador, que me deu uma grande oportunidade de aprender com ele os princípios da boa prática política. Eduardo Campos implantou em Pernambuco um novo modelo de gestão pública, um Governo de resultado, de metas. Com foco e objetivos. O povo de Pernambuco - as pesquisas mostram isso - começou a perceber as mudanças nas áreas social e econômica que nós estamos vivenciando nos últimos três anos e quatro meses.

Como avalia o “sim” do senador Jarbas?

Será um debate de gerações. Acho, em relação ao senador Jarbas, que os pernambucanos não votarão em um anti-Lula. Os pernambucanos reconhecem que Jarbas é um anti-Lula. Por mais que alguns descredenciem, é inegável que, para o Nordeste e, sobretudo, para Pernambuco, o presidente Lula foi o melhor presidente da história do Brasil. Desde o primeiro momento o senador faz oposição ao presidente.

Mas a oposição está animada...

Eu acompanhei de perto a aflição dos deputados de oposição nessa construção da candidatura de Jarbas a governador. Mas nada na vida se faz sem motivação. Pernambuco precisa de gente animada, de gente que quer trabalhar. Acho que Pernambuco não vai querer essa página novamente. A oposição hoje não tem um projeto de Governo, não tem novas propostas. Esse filme a gente viu com oito anos de governo. O que a oposição está em busca mesmo é de um coeficiente eleitoral. Estão em busca da sobrevivência legislativa, para a oposição não ficar ainda menor do que está.

Acha que eles “sobreviverão”?

É natural. Sem Jarbas a realidade seria outra. Não sou adepto de desmerecer os adversários. Não sou adepto, como alguns, do sapato alto. Jarbas foi prefeito do Recife, governador por oito anos, senador da República. Mas acho que o filme de Jarbas Vasconcelos como o filme de Fernando Henrique já passou. Ambos deram a sua contribuição.

Na sua análise, a eleição em Pernambuco terá segundo turno?

O povo de Pernambuco verá um debate de números, um debate de resultados. Não tenho dúvida que, em quatro anos, o governador fez muito mais do que nos oito anos do Governo Jarbas, na Segurança, na Saúde, no Desenvolvimento, na Educação. Todos os números mostram que a atual gestão é de resultados. Nesta eleição pode se encerrar uma geração de políticos aqui no Estado. Vou trabalhar com o mesmo entusiasmo e dedicação que trabalharei na minha reeleição de estadual, para nós ganharmos a eleição no primeiro turno.

Está se referindo ao senador Marco Maciel (DEM)?

Uma geração de políticos aqui no Estado (risos).

Como avalia a disputa pelo Senado?

O PT escolheu Humberto Costa, que tem todas as condições de disputar o Senado pelo nosso campo. Foi ministro, disputou já eleições majoritárias no nosso Estado. Será um bom senador da República. Entretanto, acho que o nosso campo precisa reconhecer toda a liderança metropolitana do ex-prefeito João Paulo. Acho João Paulo o maior líder político e eleitoral da cidade do Recife. Precisamos reconhecer os valores do ex-prefeito.

João Paulo foi desmerecido pelo PT nessa escolha?

Acho que o nosso campo precisa reconhecer o papel de João Paulo, que é uma liderança, uma referência. Ele tem um papel importante a cumprir no nosso campo. Não tenho dúvida de que ele dará contribuições ao povo do Recife e de Pernambuco.

Houve uma aproximação política entre o senhor e João Paulo, desde a sua saída do Governo. Vem aí uma “dobradinha” para disputar a Prefeitura do Recife, em 2012?

Penso que 2012 passa por 2010. Se você me perguntar se algum dia sonho em tentar construir uma candidatura majoritária no Recife eu vou dizer que sim. Mas eleição majoritária não depende apenas de um desejo pessoal. E sim do projeto de um grupo de pessoas e, sobretudo, das circunstâncias. Estou me preparando desde cedo, estou estudando. Faço política porque gosto, porque acredito. Se, em algum dia, eu reunir as condições de disputar uma eleição majoritária, quero estar preparado para este momento. Mas não tenho pressa. Como disse no primeiro momento, tenho tempo e o importante é fazer do tempo um aliado, não um adversário.

O senhor chegou a anunciar, em ato público, que era candidato a prefeito do Recife, em 2012. Vai tentar reunir as condições para disputar já daqui a dois anos?

Meu principal objetivo hoje é trabalhar pela nossa reeleição e a do governador Eduardo Campos, pela eleição de Humberto Costa e de Armando Monteiro Neto (PTB) para o Senado, depois de anunciados enquanto candidatos. Há um desejo no futuro, não sei se é 2012, 2016, 2020... Em 2020 eu vou estar com 38 anos. Estou me preparando... Como eu disse: não tenho pressa. Se no futuro tiver o privilégio de disputar essa eleição, quero estar preparado para esse pleito.

O Governo do Estado divulgou, há alguns dias, o resultado da tomada de contas especial que Eduardo mandou fazer na Empetur. O senhor foi inocentado, mas o ex-presidente da entidade, José Ricardo Diniz, foi responsabilizado. Concorda com o relatório?

Qualquer um na situação de Zé Ricardo na Empetur seria responsabilizado porque ele era o presidente. Entretanto, reafirmo nossa total confiança no professor José Ricardo. Não tenho dúvida que os culpados serão responsabilizados.

E quem são os culpados em sua opinião?

Penso que as produtoras. Mas a Justiça é quem vai dizer.

Acredita que o episódio ainda pode lhe causar algum prejuízo político?

Acho que não. Se houve prejuízo político, ele já houve. Como, de certa forma, ao longo de dois anos a gente estava no momento de imagem muito positiva... As pessoas me conhecem, a classe política me conhece. Eu sinto nas ruas um clima extremamente positivo. Estou reanimado para a reeleição.

O que se fala nos bastidores é que a causa das denúncias na Empetur teria sido uma discussão entre o seu pai e o senador Sérgio Guerra, que, por retaliação, teria determinado que a oposição centrasse fogo no caso. O senhor confirma a versão?

Inegavelmente houve uma discussão entre o deputado federal Silvio Costa e o senador Sérgio Guerra, em um restaurante no Recife. Mas uma discussão política, não no campo pessoal. Isso foi apenas um dos fatores de a oposição ter vindo para cima da gente com gosto de gás. E pelo deputado Silvio Costa ter feito oposição ferrenha ao Governo Jarbas durante oito anos. Qual é a melhor forma de bater em um pai? É batendo no filho! Hoje, eu procuro ver o processo que nós vivenciamos na Empetur como um processo que, para mim, foi de um amadurecimento político e pessoal muito forte. Depois de tudo isso, ao longo de todo esse sofrimento, eu fico feliz de ter o reconhecimento do povo pernambucano.

Acredita que o comportamento do deputado Silvio Costa durante o episódio - o parlamentar invadiu uma rádio para criticar a oposição e alguns prefeitos aliados - o prejudicou muito?

O posicionamento do deputado Silvio Costa foi um posicionamento que estou começando a sentir, agora, porque terei o privilégio de ser pai, se Deus quiser, no final do ano. Acho que o deputado Silvio Costa agiu como um pai, não apenas como político. Houve um excesso de emoção, que, no momento da crise, atrapalha muito mais do que ajuda. O momento da dificuldade tem que ser o momento da razão. E Silvio Costa foi mais emoção do que apenas razão no processo.

Ficou alguma mágoa sua e por parte de Silvio Costa com algum aliado?

Acho que foi ultrapassado. Silvio Costa hoje dialoga com toda a bancada. Tem todas as condições políticas de se reeleger federal. Não é porque é meu pai, mas acho que está fazendo um bom mandato, seu primeiro como federal. E as pessoas sabem que Silvio Costa tem um estilo e que Silvio Costa Filho tem outro estilo e forma de fazer política. Nós temos algo em comum, que, além da questão da paternidade, é o nome.

Qual dos estilos dá mais certo?

Depende do ponto de vista (risos). Tive a oportunidade de ser executivo e saí com o reconhecimento daquilo que eu representava naquele momento. E o deputado Silvio Costa nunca teve a oportunidade de ser executivo. Mas reconheço que ele tem mais o perfil legislativo.

7 comentários:

  1. Não acredito nos que no poder, sem nenhum motivo, se metem em maracutaias. O reclamante não tem do que se queixar. Será que se acha mais importante que um Marco Maciel? Pernambuco, apesar de ter eleito uns molecotes que aí estão, saberá escolher homens de vergonha que não têm seus nomes vinculados a corrupção.

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  2. Boa noite estou sempre passando neste lindo blog para apreciar diversos assuntos importantes. Convido você para participar do meu blog e enquete, que pergunta qual seleção será campeão do mundo. Podemos fazer parceria.
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  3. Poxa, to morrendo de pena de Silvinho. Que dó.

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  4. Quando do festival de Música deste ano,que na verdade foi mais um "circo sem pão" para o povo, que de FESTIVAL não teve nada, e sim a apresentação de dois artistas.Mas, falou-se que o Sr. deputado teria conseguido 1 milhão e 200 mil para o evento. Isso é verdade? se for o caso da ponte que está sendo tão propalado e "gorjeta"
    Afinal o "Festival" foi um evento lícito ou um caixa dois pra campanha do deputado?Com a palavra o blog.

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  6. Recentemente o Deputado Izaias, votou contra os Professores de Pernambuco, prejudicando-os de forma irreversível, através da lei nº 154 do Governo do Estado. Esta lei acabou com a gratificação de Magistério (pó-de-giz) e esfacelou o Plano de Cargos e Carreiras dos professores. Para se ter idéia dos malefícios desta lei; um professor com 20 anos de carreira e com Mestrado, a partir de Junho ganhará menos que uma Merendeira, com o mesmo tempo de serviço. Portanto, o professor ou familiar de Professor que votar neste cidadão, simplesmente não tem VERGONHA na cara. Achando pouco, ele aprovou na Assembléia um projeto que dá o título de Emérito Professor aos professores do Estado, por sua Lei Oportunista, Demagógica e Eleitoreira, com o único objetivo de fazer média com a categoria com certeza ele ganhará o título de cara-de-pau do ano.Questionado pela aprovação da lei 154, respondeu que votou porque é base do Governo;ou seja, não tem nenhum compromisso com o eleitorado e sim com a subserviência a Eduardo Campos.Com isso, e sua resposta ao blog de Roberto, onde fala de seus apoios, com certeza não necessitará de votos da população, pois o apoio do Governador e dos prefeitos lhes basta.Professores e eleitores do Agreste Meridional, precisamos mostrar a este cidadão, que não fazemos parte de CURRAL Eleitoral e que nosso voto não pertence nem a prefeitos ou adversários deles e muito menos ao Sr. Governador. Voto Consciente só tem vinculação com a nossa CONSCIÊNCIA. BASTA de sermos massa de manobra dos politiqueiros de plantão.

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  7. Lista dos Deputados Traidores da Educação
    1. Aglailson Júnior-PSB
    2. Airinho de Sá Carvalho-PSB
    3. Alberto Feitosa-PR
    4. Amaury Pinto-PR
    5. André Campos-PT
    6. Barreto-PMN
    7. Bringel-PSDB
    8. Carla Lapa-PSB
    9. Carlos Santana-PSDB
    10. Ciro Coelho-PSB
    11. Clodoaldo Magalhães-PTB
    12. Coronel José Alves-PRP
    13. Edson Vieira-PSDB
    14. Eduardo Porto- PSDB
    15. Elina Carneiro-PSB
    16. Eriberto Medeiros-PTC
    17. Esmeraldo Santos-PR
    18. Everaldo Cabral-PTB
    19. Geraldo Coelho- PTB
    20. Henrique Queiroz-PR
    21. Isaltino Nascimento-PT
    22. Izaias Régis-PTB
    23. João Fernando Coutinho-PSB
    24. Luciano Moura-PC do B
    25. Lucrécio Gomes PV
    26. Manoel Ferreira-PR
    27. Marcantônio Dourado- PTB
    28. Nelson Pereira de Carvalho-PC do B
    29. Pastor Cleiton Collins-PSC
    30. Raimundo Pimentel-PSB
    31. Sebastião Rufino-PSB
    32. Sílvio Costa Filho-PMN
    33. Sérgio Leite – PT
    34. Soldado Moisés- PSB

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