sexta-feira, 28 de maio de 2010

POLÊMICA DA FUNDARPE-Mais suspeitas sobre empresas de eventos.



Sedes de outras três empresas contratadas pela Fundarpe para realização de eventos, visitadas ontem pelo JC em Itapissuma e Itamaracá, reforçam os indícios de que os endereços são de fachada

Gilvan Oliveira
Manoel Medeiros Neto

politica@jc.com.br

O JC visitou ontem as sedes de mais três empresas contratadas pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) – para realização de eventos – e o que verificou aumentam ainda mais as suspeitas sobre essas empresas. Os imóveis, em Itapissuma e Itamaracá (Região Metropolitana), em nada lembram sedes de companhias com faturamento alto. Pelo contrário: os estabelecimentos funcionam numa pequena garagem, numa residência modesta e numa casa de veraneio, sugerindo que os endereços são de fachada. E quem se dispôs a falar com a reportagem se negou a dar informações detalhadas sobre os empreendimentos. Juntas, elas receberam R$ 15,6 milhões da fundação.

A primeira sede de empresa visitada ontem foi a do Bloco Tá Legal Produções Artísticas, que entre 2007 e este ano recebeu R$ 3,699 milhões da Fundarpe. Ela fica na Avenida Agostinho Nunes Machado, nº 900, no Centro de Itapissuma. O local, recentemente pintado com a logomarca da empresa, é uma garagem que estava fechada.

Uma mulher que fazia serviços domésticos na casa em frente à garagem, que ela mesma afirmou pertencer ao dono da Tá Legal, informou que no local não havia telefone fixo e nem sabia os contatos do responsável pelo empreendimento. “Ele está viajando”, assegurou. A Tá Legal pertence aos sócios Glaydson Figlioulo do Nascimento e Severino Wellington Freitas da Silva, mas a mulher – que não quis se identificar – não informou qual dos dois seria o dono da casa.

No nº 933 da mesma avenida fica a sede da Figlioulo Produções Artísticas, empresa que faturou, nos últimos quatro anos, R$ 6,731 milhões em recursos públicos. Ela também pertence a Glaydson Figlioulo do Nascimento, mas com outro sócio: Inácio Antônio do Nascimento. Na casa, a reportagem foi recebida por uma mulher aparentando 60 anos, que não quis se identificar. Ela confirmou que sua casa é a sede da Figlioulo e não informou mais nada. Disse que lá não havia telefone fixo nem sabia os contatos dos responsáveis pela empresa. “Não sei de nada, não vou falar nada”, afirmou.

No bairro de Forno da Cal, em Itamaracá, o JC demorou para encontrar a Clarins Produções Artísticas, que recebeu da Fundarpe R$ 5,175 milhões entre 2008 e 2010. O endereço dela na Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe) não bate com o da sede da empresa. Ela deveria funcionar no nº 2.175 da Rua Paraná, mas a numeração da via só vai até 200. A empresa funciona numa casa sem número entre a 157 e a 180.

A sede da Clarins é numa casa com muro alto, que aparenta ser de veraneio. No local, estava um homem em torno de 40 anos que se apresentou como Geraldo. Ele se disse “motorista do dono da empresa” e assegurou que lá funcionava de fato a Clarins. “O dono está viajando pelo interior, promovendo eventos, e o telefone dele eu não posso dar”, disse.

Desde o surgimento das denúncias envolvendo a Fundarpe, lançadas por deputados da oposição há duas semanas, o JC visitou as sedes de nove empresas contratadas pela fundação. Em oito delas, encontrou situações que sugerem a existência de empresas fantasmas ou de fachada. E em apenas uma, a Palco Show Produções, em Caruaru (Agreste), havia estrutura compatível com uma empresa grande de produção de eventos. A Fundarpe tem sido contactada para explicar quais os critérios para a contratação e quais os eventos promovidos pelas empresas, mas se nega a dar informações, sob a justificativa de que só dará explicações aos órgãos oficiais.

4 comentários:

  1. Com essses indícios de corrução na Fundarpe, é bem fácil sobrar para o nosso Festival de Inverno de Garanhuns. O FIG este ano completa 20 anos e não temos notícia de que estão preparando um evento à altura para a data. Sem esquecer que nesses três anos de Eduardo Campos cada edição foi pior do que a outra. Jarbas pode ter sido ruim em tudo para Garanhuns, menos para o Festival de Inverno.

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  2. Concordo com o caro jornalista. Estamos praticamente as vésperas do Festival e os trabalhos parecem se arrastar a passos de tartarugas. Há preocupações por parte de muitos municipios que assim como Garanhuns dependem da FUNDARPE para realizar os seu eventos. Inclusive, dentro do projeto "Pernambuco Nação Cultural". Não esqueçamos de lembrar que entre a realização do FIG ainda temos um São João, uma Copa do Mundo e essa tuia de ACUSAÇÕES. Tá na hora da prefeitura de Garanhuns através de suas secretarias de Turismo e Cultura fazerem plantão nos corredores da FUNDARPE. A coisa tá feia por aqui.

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  3. Altamir Pinheiro28 de maio de 2010 07:20

    VAMOS SER SINCEROS E CORTAR NA PRÓPRIA CARNE: DURANTE TODO O GOVERNO DESSE DUBLÊ DE PREFEITO QUE AÍ ESTÁ, OS FESTIVAIS FORAM VERDADEIRAS PORCARIAS(PARTE DE SHOWS MUSICAIS). NÃO AGRADOU A ZELITES NEM MUITO MENOS A CRASSIMEDIA E O QUE DIZER DO MUNDIÇAL..........

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  4. Conheço o Glaydson, sempre foi trambiqueiro por isso me afastei, podem investigar que vão achar a sujeira, mas se preparem pra encarar os politicos que ele tem como padrinhos.

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